segunda-feira, 19 de março de 2007

Má Fama

Quando eu estava lá fofoqueando a vida alheia no Orkut, certo dia, recebi o aviso que tinha o direito, altamente exclusivo, de possuir um e-mail do Google. Devo ter procurado por Marcelo Benvenutti, mas como não encontrei, ou não estava a fim de achar, escolhi mafama@gmail.com

Na hora foi o primeiro nome que veio à minha mente e devo dizer que tinha tudo a ver, e ainda tem, acredito, com o que eu vivia naqueles dias. Afinal eu ficava criando blogues que duravam poucas semanas, assinando com pseudônimos que chegavam a durar minutos, inventando paixonites que duravam algumas horas, dormindo pouco, bebendo muito, trabalhando como um desgraçado e não tendo nenhuma perspectiva de coisa alguma.

Mudou algo?

Sim.

E não.

Depois que apareceu um Lorenzo em minha vida, o menino chamado Lorenzo de Paris Benvenutti, tudo está de pernas pro ar. O meu trabalho aumentou. O meu tempo livre diminuiu. O dinheiro encurtou. As paixões adormeceram. Os delírios se esconderam. O copo esvaziou. E as energias foram se dissipando na exuastão dos dias de pai, contador, marido e escravo das tarefas que cada uma dessas funções me oferece com muita boa vontade.

Ainda tentei criar obrigações literárias que me fizessem manter uma produção regular, o que no meu caso seria uma produção diária. Mas que nada. Quando sobra um tempo, eu durmo. Quando não tenho sono, eu bebo. Quando não tenho saco eu mortifico meu cérebro em frente ao aparelho de televisão conectado nos canais à cabo. Vou aos poucos me apagando na repetição dos clichês televisivos. Sempre alerta para que umas das funções que me consomem venha pedir auxílio e os devaneios se percam na porção criativa da mente.

E tente explicar ao mundo que ao escritor é necessário tempo. O tempo do silêncio. O tempo da estrada vazia na madrugada veloz. O tempo do bar solitário e da cerveja gelada. O tempo do delírio observando o céu, o alto dos prédios, as folhas das árvores, o cachorro vadio que fuça no lixo. Tente explicar ao mundo que um escritor é sim um arrogante, um individualista, um doente, um parasita, um olhar perdido e desconexo no horizonte furtivo das palavras ditas da boca pra fora. Um mentiroso de grandes frases. Um ladrão do próprio tempo. Tente explicar ao mundo que o escritor deve se reservar o direito de externar em palavras as idéias e as histórias e as formas que se desenham em sua mente a todo instante e que não é possível controlá-las, apenas transformá-las em algo plausível, palpável e intelígivel se não para terceiros, para o prazer dele próprio, escritor, criador e deus de seu próprio mundo.

Bom, é o que vou tentar todos os dias por aqui.

Definitivamente.

Criei a má fama.

Que ela se perpetue.

5 comentários:

maparudi disse...

Boa sorte!
Nada melhor do que um bom começo!
bjs, Mariana

Mara disse...

Eu copiei no meu blog...mas com link, claro.

sandrini disse...

putz, que é que posso dizer desse texto? nem sei, cara, não consigo pensar, a cabeça tá cheia de preocupações, cheia de idéias, mas a cabeça também anda ineficiente, um dia será que isso passa? Por enquanto esses gurizinhos Lorenzo e Gianluca são nossa obra em progresso, e são grandes obras esses pentelhos. Certeza. Vou ler o má fama e tentar comer meu sanduíche de salame em frente à tv.

tamz disse...

bom que tu me avisou daqui...
Já te linko pra visitar legal.

Hasta

Jean Scharlau disse...

Concerto com a última Belmoral, lá n'O Lobo.