Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Notas do Diário de um Escritor Mal Sucedido
Domingo, 24 de julho de 1951
O romance terminado e entregue aos editores há dois meses. Os editores? Nem aí. Nunca entregue um trabalho que não esteja completamente terminado. Mesmo que isso resulte um grande atraso em sua publicação.
Parece que nunca vou conseguir me livrar das dívidas. Mais um filho em setembro. Fico sonhando com tempo livre para escrever. É difícil, pois tenho de fazer serão para ganhar o suficiente para o sustento da família. Tenho de fazê-lo. Só isso. Estou saturado com meu emprego. Quando chega a tarde de domingo é preciso dedicá-la à família. É importante. Com isso só me resta parte da manhã e a noite de domingo e talvez algumas noites da semana que não tenha muito trabalho a ser feito (no emprego).
Li os diários de Kafka e fiquei desapontado. Na minha opinião contestam todas as explicações críticas de seu trabalho.
Revendo as minhas anotações para os contos que pretendia escrever. Alguns deles se tornaram moles e murchos com o tempo. Como se fossem frutas podres. Eu amadureci.
Mario Puzo
(sem comentários)
O romance terminado e entregue aos editores há dois meses. Os editores? Nem aí. Nunca entregue um trabalho que não esteja completamente terminado. Mesmo que isso resulte um grande atraso em sua publicação.
Parece que nunca vou conseguir me livrar das dívidas. Mais um filho em setembro. Fico sonhando com tempo livre para escrever. É difícil, pois tenho de fazer serão para ganhar o suficiente para o sustento da família. Tenho de fazê-lo. Só isso. Estou saturado com meu emprego. Quando chega a tarde de domingo é preciso dedicá-la à família. É importante. Com isso só me resta parte da manhã e a noite de domingo e talvez algumas noites da semana que não tenha muito trabalho a ser feito (no emprego).
Li os diários de Kafka e fiquei desapontado. Na minha opinião contestam todas as explicações críticas de seu trabalho.
Revendo as minhas anotações para os contos que pretendia escrever. Alguns deles se tornaram moles e murchos com o tempo. Como se fossem frutas podres. Eu amadureci.
Mario Puzo
(sem comentários)
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
O tamanho do nosso provincianismo
Enquanto em Porto Alegre cantamos aos 4 ventos nossos cinemas, nosso teatro,
nossos parques, nossas alternativas de lazer em uma Buenos Aires aconchegante,
lá de fora recebemos pauladas como essa:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u578615.shtml
09/06/2009 - 09h08
nossos parques, nossas alternativas de lazer em uma Buenos Aires aconchegante,
lá de fora recebemos pauladas como essa:
http://www1.folha.uol.com.br/
09/06/2009 - 09h08
Falta de lazer aumenta audiência das novelas no interior, diz coluna
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da Folha Online
As novelas da Globo têm registrado altos índices de audiências nas capitais fora do eixo Rio-São Paulo, informa a coluna Outro Canal, assinada por Daniel Castro na Folha desta terça-feira (10).
De acordo com informações da coluna, em Porto Alegre, por exemplo, "Caminho das Índias" já alcançou média de 51 pontos, 11 a mais do que a média nacional.
O colunista informa que, além da falta de lazer nos centros mais afastados, a Globo ainda credita o aumento da audiência à fragilidade da concorrência nestas cidades.
O fato de, no horário de algumas novelas, as concorrentes exibirem telejornais voltados para o público de São Paulo também favorece a programação da Globo.
Bem feito pra nós!!!
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Faz tempo ...
que não escrevo por aqui.
Blogue é questão de tempo, de saco e de ter o que falar.
Ter o que falar geralmente eu tenho, só não sei pra quem, e se não tiver, vou falar do mesmo jeito.
Saco é algo que tenho mas é o da paciência, e também não me importo com isso.
Mas tempo é o bem mais valioso. Sempre foi. Sempre serã. E quando se é um pai que fica quase todas as noites cuidando de um guri agitado de 3 anos de idade, quando sobra, o tal do tempo, o pai aproveita e vai dar um outro, tempo, pelas ruas, bebendo cerveja, encontrando os amigos, ou então capota e dorme. Vergonhosamente capota no sofá.
A vida de escritor está, temporariamente, perdendo, para a de pai e a de trabalhador. A de trabalhador é a mais triste, pois a burocracia é algo totalmente insuportável para quem faz quase 20 anos vive no meio disso. O saco, aquele ali de cima, está acabando para a burocracia. Não tenho paciência para mais nada burocrático e quando tenho é para destruir com as bases de toda e qualquer idiotice dessas. Por mim que implodissem todos os cartórios, derrubassem todos os governos e exterminassem a fé pública da vida moderna. No auge da falta de saco alguém me pedirá um carimbo para acabar com o mundo. Acabarei assim mesmo.
Pai é o máximo. Só por isso vendo meu tempo. Pois estes 3 anos foram intensos e bem vividos e sei, como todo pai e mãe devem saber, que as crianças, ainda bem, crescem. Mas que já dá uma saudade antecipada, isso dá. Dá. Dá vontade até de chorar. Mas isso vou deixar para mais tarde. Quando eu, se for um cara de saúde e sorte, ficar velho e conhecer meus netos.
Resta a literatura. Eu vivo revisando textos na falta de tempo para criar algo novo. Na verdade o algo novo está sempre sendo criado. O algo novo nunca para de aparecer. Quando sobra tempo escrevo tal qual uma enxurrada depois de uma grande seca. Pode ser que acabe numa catástrofe no começo, mas depois a chuva vai amainando e o texto vem. Desce. Sai do outro mundo, lá onde vivo escondido escrevendo.
Dizem muitos, que escrevem, ou acham que escrevem, que a literatura vem antes de tudo. Não. Não vem. Antes vem a vida. Sempre vem a vida. Mas não a vida que os críticos querem depois falar de como tal autor chegou em tal frase ou quis dizer noutro parágrafo. Não. Essa vida é dos imbecis e dos que não sabem ler. A vida do escritor vem antes quando ela é a sua própria vida. E vivendo essa vida, ele escreve. Escreve quando tem tempo. Depois, vive.
Não é que uma coisa tenha a ver com a outra, não tem, mas, com toda a certeza, não compartilho com a idéia que a literatura vem antes. Na literatura quem vive não sou eu. É outro. E esse outro, o escritor, só aparece assim, quando escrevo. Que gosta de saber que leram o que ele escreveu.
Eu? Eu mesmo quero que vocês se danem e me deixem viver sem chateação.
O Autor.
Blogue é questão de tempo, de saco e de ter o que falar.
Ter o que falar geralmente eu tenho, só não sei pra quem, e se não tiver, vou falar do mesmo jeito.
Saco é algo que tenho mas é o da paciência, e também não me importo com isso.
Mas tempo é o bem mais valioso. Sempre foi. Sempre serã. E quando se é um pai que fica quase todas as noites cuidando de um guri agitado de 3 anos de idade, quando sobra, o tal do tempo, o pai aproveita e vai dar um outro, tempo, pelas ruas, bebendo cerveja, encontrando os amigos, ou então capota e dorme. Vergonhosamente capota no sofá.
A vida de escritor está, temporariamente, perdendo, para a de pai e a de trabalhador. A de trabalhador é a mais triste, pois a burocracia é algo totalmente insuportável para quem faz quase 20 anos vive no meio disso. O saco, aquele ali de cima, está acabando para a burocracia. Não tenho paciência para mais nada burocrático e quando tenho é para destruir com as bases de toda e qualquer idiotice dessas. Por mim que implodissem todos os cartórios, derrubassem todos os governos e exterminassem a fé pública da vida moderna. No auge da falta de saco alguém me pedirá um carimbo para acabar com o mundo. Acabarei assim mesmo.
Pai é o máximo. Só por isso vendo meu tempo. Pois estes 3 anos foram intensos e bem vividos e sei, como todo pai e mãe devem saber, que as crianças, ainda bem, crescem. Mas que já dá uma saudade antecipada, isso dá. Dá. Dá vontade até de chorar. Mas isso vou deixar para mais tarde. Quando eu, se for um cara de saúde e sorte, ficar velho e conhecer meus netos.
Resta a literatura. Eu vivo revisando textos na falta de tempo para criar algo novo. Na verdade o algo novo está sempre sendo criado. O algo novo nunca para de aparecer. Quando sobra tempo escrevo tal qual uma enxurrada depois de uma grande seca. Pode ser que acabe numa catástrofe no começo, mas depois a chuva vai amainando e o texto vem. Desce. Sai do outro mundo, lá onde vivo escondido escrevendo.
Dizem muitos, que escrevem, ou acham que escrevem, que a literatura vem antes de tudo. Não. Não vem. Antes vem a vida. Sempre vem a vida. Mas não a vida que os críticos querem depois falar de como tal autor chegou em tal frase ou quis dizer noutro parágrafo. Não. Essa vida é dos imbecis e dos que não sabem ler. A vida do escritor vem antes quando ela é a sua própria vida. E vivendo essa vida, ele escreve. Escreve quando tem tempo. Depois, vive.
Não é que uma coisa tenha a ver com a outra, não tem, mas, com toda a certeza, não compartilho com a idéia que a literatura vem antes. Na literatura quem vive não sou eu. É outro. E esse outro, o escritor, só aparece assim, quando escrevo. Que gosta de saber que leram o que ele escreveu.
Eu? Eu mesmo quero que vocês se danem e me deixem viver sem chateação.
O Autor.
Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009
Segundas de Janeiro
Serra Malte
Se eu quisesse esquecer o que era ser esquecido, bastava ficar só.
Se eu quisesse me perder quando estava perdido, bastava tentar me concentrar.
Me concentrar em algo diluído no ar, em frente aos meus olhos.
Me concentrar em algo que perdi no esquecmento.
Algo que esqueci em minhas perdições.
Bastava querer sentar sozinho e escutar Bowie sem entender nenhuma letra,
se bem que Sabbath também me serviria e teria o mesmo efeito.
O torpor nas dores musculares. As costas retraídas não iriam mais doer.
A pressão na barriga diminuira.
Bastava eu ficar parado no espaço do trânsito, bebendo solitário na avenida
larga, escura e vazia. Deixar me esparramar pelo asfalto da noite, o vento pela janela,
um futuro sem futuro. Um passado que não me queria. Um presente tardio.
Um passo para o nada.
Um passo para a felicidade se é que existe essa tal.
Se eu quisesse parar de pensar bastava ficar só e tudo seria nítido.
Tão nítido que eu não beberia.
Tão nítido que eu esqueceria porque bebia.
Se eu quisesse chegar perto daquilo que sinto hoje, não estaria escrevendo.
A felicidade existe.
Existe sim.
E eu sei que existe.
E isso é que nos faz querer esquecer.
Porque depois ela volta com toda a força.
Bastava que eu abrisse uma cerveja e ficasse só.
Comigo mesmo.
Mas agora já senti o gosto.
E preciso beber para saber o quanto vale a felicidade.
Não deixa de ser uma desculpa.
E é.
Se eu quisesse esquecer o que era ser esquecido, bastava ficar só.
Se eu quisesse me perder quando estava perdido, bastava tentar me concentrar.
Me concentrar em algo diluído no ar, em frente aos meus olhos.
Me concentrar em algo que perdi no esquecmento.
Algo que esqueci em minhas perdições.
Bastava querer sentar sozinho e escutar Bowie sem entender nenhuma letra,
se bem que Sabbath também me serviria e teria o mesmo efeito.
O torpor nas dores musculares. As costas retraídas não iriam mais doer.
A pressão na barriga diminuira.
Bastava eu ficar parado no espaço do trânsito, bebendo solitário na avenida
larga, escura e vazia. Deixar me esparramar pelo asfalto da noite, o vento pela janela,
um futuro sem futuro. Um passado que não me queria. Um presente tardio.
Um passo para o nada.
Um passo para a felicidade se é que existe essa tal.
Se eu quisesse parar de pensar bastava ficar só e tudo seria nítido.
Tão nítido que eu não beberia.
Tão nítido que eu esqueceria porque bebia.
Se eu quisesse chegar perto daquilo que sinto hoje, não estaria escrevendo.
A felicidade existe.
Existe sim.
E eu sei que existe.
E isso é que nos faz querer esquecer.
Porque depois ela volta com toda a força.
Bastava que eu abrisse uma cerveja e ficasse só.
Comigo mesmo.
Mas agora já senti o gosto.
E preciso beber para saber o quanto vale a felicidade.
Não deixa de ser uma desculpa.
E é.
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
Pai, Bota Rock!!!
Coloquei um contador de visitantes únicos lá embaixo no blog. O divertido é que parou em 7 faz 2 dias.Potanto, tirando eu, apareceram 6 leitores.
Não imagino quem sejam, porque acho que nem a Betine visita meu blog. Portanto, tenho 6 leitores, o que é já é meia dúzia. Dizem que de meia dúzia pra cima só vai.
Ou vira ímpar
Mas o motivo desse post é outro.
Ontem eu e o Lorenzo fomos visitar minha mãe.
Na volta pra casa, meia noite e poucos, Lo agitando o dia todo, vim devagarito, segurando o pé no acelerador e coloquei um cd de coletâneas. Lá pelas tantas, eu olhando pelo espelhinho de espionar o filho e vendo se o Lorenzo dormia, dormir no carro já é um grande começo de noite para um pai cansado, e nada.
Tocava um Beatles, depois de alguns rocks mais acelerados.
Terminado o Beatles, entrou um som de gaita e uma voz fanhosa.
O Lorenzo se agitou.
"Pai, bota rock!"
Eu não acreditei.
Ele repetiu e insistiu.
"Pai, tira esse e bota rock!"
Eu tirei.
Era Bob Dylan.
Esse guri é um gênio!
Coloquei outra música.
Ele esboçou resmungar.
Falei, esse não é rock. Mas é Otis Redding.
Ele ficou quieto e não resmungou.
Dormiu.
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
ADOÇÃO
Oh, a Kafka Edições foi "adotada"!
Clique aí em Livraria Cultura e faça a busca
por autor: "Marcelo Benvenutti" ou
por título: "Arquivo Morto".
Compre!
Leia!
Ame ou odeie!
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