sexta-feira, 20 de agosto de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Casamento Rock
Pra quem ainda se presta a acompanhar este blog, tenho a dizer o seguinte:
- Ele não está abandonado e eu não parei de escrever. Ainda este ano pretendo publicar algo inédito. Avisarei quando tiver o que falar de novo;
- Criei outro blog pra falar de casamento: http://casamentorock.blogspot.com/
- Pra quem perguntar sobre a Sombra dos Eucaliptos, mandem email para a Final Sports e perguntem se precisa o Inter ser campeão com Celso Roth para os blogs da Dupla GreNal voltarem;
E pra completar a lambança, aqui ó, pros chatos de sempre:
- Ele não está abandonado e eu não parei de escrever. Ainda este ano pretendo publicar algo inédito. Avisarei quando tiver o que falar de novo;
- Criei outro blog pra falar de casamento: http://casamentorock.blogspot.com/
- Pra quem perguntar sobre a Sombra dos Eucaliptos, mandem email para a Final Sports e perguntem se precisa o Inter ser campeão com Celso Roth para os blogs da Dupla GreNal voltarem;
E pra completar a lambança, aqui ó, pros chatos de sempre:
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Resenha do Arquivo Morto escrita pelo Nelson Olveira na última Verbo21 do amigo Lima Trindade de Salvador.
outubro de 2009

outubro de 2009
A fantasia do almoxarifado
Por Nelson Oliveira
No início deste milênio, quando um coletivo de escritores que escreviam em blogs se reuniu para formar uma editora independente, havia muito de “vanguardista”. Na Bahia, como em outras partes do país, escritores começavam a mostrar sua literatura em blogs e participavam ativamente deste processo, que revelaria nomes como André Takeda, Daniel Galera e João Paulo Cuenca. Na Bahia, gente como Wladimir Cazé, Patrick Brock e Marcelo Benvenutti ganhavam destaque, graças ao estabelecimento da editora independente Edições K, que publicava pocket books muito bem editorados.
Benvenutti, que não é baiano, mas gaúcho, acabou ganhado destaque por aqui graças a O Ovo Escocês, livro de contos lançado pela K, atualmente adormecida. Hoje, o autor publica pela Kafka Edições, do Paraná. E foi por ela que saiu seu mais novo livro de contos, Arquivo Morto (Kafka Edições, 2009, 188 páginas), instigante do início ao fim. A coletânea de contos, composta por textos intitulados com nomes de pessoas é dividida em gavetas (A-C; D-F; G-I; J-L; M-O; P-R; S-U; V-X, Y-Z), e traz contos com uma temática comum: todos eles envolvem, de alguma forma, a finitude das coisas.
Benvenutti, consciente de que a vida é passageira – e no caso de seus contos episódicos, não passa de, no máximo, cinco páginas –, apresenta seus personagens sem muitas firulas sem, no entanto, esquecer de suas peculiaridades e detalhes, desvelados no texto como amostras de sagacidade e sarcasmo do autor. Por vezes, os contos são lacônicos ou acabam abruptamente, assim como a vida e as relações de muitas pessoas. Com isso, Benvenutti tem as armas necessárias para dar relevo a personagens comuns, ora desiludidos com a vida que levam e marcados por profundas tristezas ora gente que nem tem idéia do que acontece a sua volta ou pivôs de reviravoltas imprevisíveis.
A abertura de Alberto, primeiro conto do livro, é uma boa amostra do que o leitor encontrará pela frente: “Alberto é um interiorano de vinte e seis anos que todos os dias sai do trabalho, no cartório na Rua da Ladeira, para sentar-se na mesma cadeira na mesa de sempre do bar do Adriano, para beber”. Assim como em Alberto, quando o personagem principal deixa de reconhecer sua amante Rosa após a primeira noite de amor, e a recíproca se torna verdadeiro, vários outros contos partem de premissas simples para dar lugar a acontecimentos distantes do que se concebe como realidade. Elementos fantásticos fazem parte da grande maioria dos textos, mas são o próprio foco central da narrativa em Batista, conto no qual um empresário vive uma inusitada situação: a partir de certo momento, todas as portas pelas quais ele passa, não fecham mais, sem motivo aparente.
Em Ninguém, o próprio cenário já é fantástico, mas não descolado completamente da realidade. Na distópica cidade de Boulevard, moram apenas pessoas famosas e reconhecidas mundialmente pelo que fazem. Tudo isso é abalado a partir da chegada de Ninguém, um desconhecido, que apenas por ser desconhecido chama a atenção de toda a cidade e vira uma figura mítica. Neste sarcástico conto, Benvenutti brinca com os arbitrários critérios que podem fazer algo virar mito; critérios que parecem se perder na história, de tão interiorizados que são, como explica o semiólogo Roland Barthes no seu clássico Mitologias.
A ironia de Benvenutti, no entanto, não é gratuita: ela parece ser direcionada, em boa parte dos contos, a modos de vida viciados de uma sociedade em estágio de degradação. Posicionado em uma linha de pensamento próxima a contracultura influenciada por John Fante, Charles Bukowski e pelos beats, o autor prefere escancarar a vida dos simples cidadãos do dia-a-dia, dos tipos que podem ser avistados em qualquer fila de banco. Talvez num esforço autobiográfico, ele, contabilista, trace um perfil de um contador, em Ivan. Mas, é tanta gente nesse mundão fantástico que Benvenutti guarda em sua gaveta. Tem Kelly, Liverpool, Bárbara, Duarte, Xênia, Mauro, Luís, Ítalo, Clint, Luciana, Pedro, Mateus, Dante, Betine, Carlos, Winston... e até um Marcelo, um homem-salsicha, “esperando para ser consumido pelos dois pedaços de pão separados entre as pernas de certas mulheres”.
Arquivo Morto se mostra, desde sua primeira parte, como uma obra madura, com um conceito bem definido e agradável o suficiente para passar tardes inteiras em dedicação a seus contos. Uso aqui, a velha máxima proferida por Julio Cortázar: "No combate entre um texto e seu leitor, o romance ganha sempre por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute". Benvenutti, devo dizer, é um excelente pugilista e, em se tratando de textos sobre a finitude, seus nocautes são ainda mais significativos. A Má Fama de Marcelo Benvenutti se perpetua e Arquivo Morto será grande responsável por isto.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
My Name is Rocha. Glauber Rocha.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Com a Mão na Massa
Eu tenho duas namoradas e uma é mais que a outra, mas, como convém, nenhuma das duas sabe disso. Uma acha que manda em mim. A outra, só gosta. Eu gosto de hamburguer, de suco de uva, sacolé, bala de minhoquinha, polenta e sevenboys com goiabada. Adoro que estouem bolhas do alto cada uma delas parecida com um monstro diferente. A Lola é meu horizonte e o Charlie não existe. Queria sentar no banco da frente do carro e xingar junto com meu pai os marcha-lentas com um sai da frente, boca aberta. Aprendi que os chinelos perdidos vão parar lá no cu do mundo. Minhas vovós fazem tudo o que eu quero, inclusive o que eu não quero, o que é bom, pois
daí descubro o que posso pedir. Minha babá me obedece mais que meu cachorro, mas bater
eu só bato na Duda, tadinha, que late e uiva quando eu fico doente.
Gosto de pular, de correr de um lado para outro sem nenhum motivo, de pegar a bola com os pés
na pracinha e avançar como um atacantezinho doido em direção ao gol adversário, sem fazer gols,
só pelo prazer de correr e chutar. Então, eu tenho três anos e quando eu tinha três anos eu era assim. Ou era assim que meu pai achava que eu era. Mas já cansei de falar, afinal, meu pai já tomou mais de um copo de vodca e daqui a pouco não sabe mais se é ele ou eu escrevendo. Tomara que seja eu. Ou ele. Espero que seja sempre assim. Ainda mais agora que eu meto a mão na massa e moldo minha própria vida. Meu pai, minha mãe, meus amigos, espectadores desse delírio do meu pai, não sabem de nada. Quando eu tinha três anos eu era feliz. Todo mundo deveria ser. A vodca acabou, pai. Vai dormir.
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