segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Século XXI

São Paulo, sábado, 01 de janeiro de 2011 


Texto Anterior | Próximo Texto | Índice | Comunicar Erros

RÉPLICA 

Zona de confronto versus zona de conforto da crítica

NELSON DE OLIVEIRA
ESPECIAL PARA A FOLHA 

Li com bastante atenção o artigo do editor da Ilustríssima, Paulo Werneck, sobre a antologia "Geração Zero Zero" (Ilustrada, 18/12). Mas confesso que, terminada a leitura, precisei verificar o cabeçalho do jornal. Fiquei em dúvida se estamos mesmo em 2010.
O problema central do artigo não são as falácias de comunicação ou a piada inocente, mas o descompasso entre texto e contexto. Sinal disso é certa visão luddista do marketing.
Os argumentos com falhas lógicas, de difícil comprovação ou refutação (as falácias), são muito comuns em debates e artigos de opinião.
Poucos articulistas conseguem evitá-los. Mas a disfunção principal do artigo de Paulo é mesmo de cronologia. Vivemos numa época em que as verdades são provisórias, mas o artigo, cheio de certezas perenes, não aceita isso.
Enquanto a Geração Zero Zero dialoga com a ambiguidade, ele cobra mais nitidez.
Porém nitidez objetiva é assunto da matemática e da ciência, não da arte e da literatura, sempre subjetivas.
Aliás, é bom lembrar que certas áreas das ciências exatas já aceitaram a ambiguidade inevitável.
É com elas que a Geração Zero Zero interage.
Nossa antologia relaciona-se, por exemplo, com o princípio da incerteza de Heisenberg e o gato morto-vivo de Schrodinger.
Com a nanomedicina e as próteses neurológicas. Com a bizarra matéria escura que compõe noventa por cento do universo, mas ninguém sabe o que é.
Por pertencer ao passado, o artigo de Paulo Werneck defende as leis de Newton para a criação poética.
Também reforça, com desmedida bronca, a ojeriza à ideia de geração-com-recorte-temporal, procedimento comum nas artes plásticas.
Isso já aconteceu antes, com a Geração 90. Mas só agora eu noto essa "gerafobia" quase consensual, esse medo exagerado de geração.
A intenção primeira da nova antologia é divulgar a obra dos ótimos ficcionistas que estrearam na primeira década deste século.
A intenção segunda é trabalhar na zona de confronto, fora da zona de conforto do leitor e da crítica newtonianos. A terceira intenção? Não há.
Não existe qualquer intenção demoníaca oculta, de tomada do poder estabelecido, de revolução cultural etc.
O escritor Santiago Nazarian escreveu em seu blog: "Não há nenhum grande plano nefasto por trás, não há nenhuma intenção perniciosa. É só (mais) uma antologia".
Concordo totalmente. "Geração Zero Zero" é só (mais) uma antologia de ótimos ficcionistas brasileiros.

NELSON DE OLIVEIRA é autor de "Poeira: Demônios e Maldições" (Língua Geral) e organizador da antologia "Geração Zero Zero", que será lançada no primeiro semestre de 2011 pela Língua Geral, com 21 autores de ficção nacionais.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma Dessas Coisas Cretinas

Marcelo Benvenutti

Filme: Poderoso Chefão 4
Ator: Mickey Rourke
Atriz: John Wayne
Cantor: Keith Richards
Cantora: Mick Jagger
Música: Lucille
Esporte: Punheta
Livro: As Putas Que Eu Comi, Muddy Waters
Autor: Enio Morricone
Presente: Dinheiro
Viagem: Só uma vez, ainda não voltei
Comida: De quatro, mas eu gozo muito rápido
Que Não Pode Faltar Na Sua Geladeira: Eletricidade
Um supérfluo: Mulher
Carro: Verde
Sonho de Consumo: Ceva liberada
Sinônimo de Beleza: Manguita Fenômeno
Uma Pessoa Pública: Não lembro o nome, cobrava pouco, mas garanto que era mulher
Um Ídolo: Fabiano Cachaça
Uma Decepção: Nenhuma
Mania: Imaginar todo mundo pelado trepando
Defeito Incorrigível; Peidar sozinho
Qualidade: Humildade
Que Pretende Fazer no Futuro: Virar um vadio
O Que Teria Sido Mas Não Tem Coragem: Cristiano Zanella
Uma Frase: E daí?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Novo Blog

Este blog continuarei atualizando quando me lembrar que ele existe.

Criei um novo para falar sobre LITERATURA POP.

http://escritorpop.blogspot.com/

Divirtam-se

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Caminhando Pelo Errado da Rua

Eu comprei ingresso pro show do Paul McCartney e pensei. Baita bosta. Sim, eu não comprei.
A Betine comprou. Quer dizer, deu a grana. A Bruna e o Franty foram pra fila do Beira.
Mas, porra, e se eu não for pro céu? Quem serão os Beatles? Os Stones?
Será que Huxley ainda viaja no cosmo no LSD final?  Não sei. Não acredito nos beats.
Só copio.
Aliás, não copio. Quero que eles se fodam. Ginsberg era um chato de galocha.
Odeio poetas. Odeio poetas da Osvaldo Aranha. Odeio escritores de vanguarda.
Mas gosto do Lou Reed.
Eu não sei ler o que os outros escrevem. Sou totalmente egocêntrico.
Gosto de quem gosto e ignoro a existência alheia. Sou o maior escritor ignorado
por outros que jamais o lerão. Se me importo? Não. Curto caminhar pelo outro lado da rua.
Sim. Os quarenta anos servem pra algo. Servem pra me deixar feliz vendo meu filho crescer
e pensar: Foda-se! Ninguém pode compartilhar isso comigo. Nem eu mesmo.
É tão íntimo que me nego a saber que posso ser feliz.
E sei que sou.
Confesso.
Eu sou feliz.
Desculpem-me se se tenho que admitir o que só admito escrevendo bêbado às cinco da manhã.
Mas é a verdade. O Lou Reed me disse agora. Ele, o Bowie e, talvez, não sei, Kurt Cobain
que ainda tá saindo de dentro do Dilúvio ajudando o Werner.
A Betine tá no quarto assistindo algum seriado de serial killers.
Eu seu que tá na moda. A moda é algo estranho.
Pra mim estar na moda é ser do contra. E se tem alguém do contra, sou contra quem é.
Sou contra e é bom que seja assim.
Meu carro deveria sair da cidade. Eu junto.
Queria morar numa estrada cercado de cerveja e meus amigos.
Uma eterna estrada sem fim de felicidade e conversa fiada e álcool e sutilezas jogadas no lixo.

(mais um copo da tal cerveja preta)

(pausa)

É muito boa essa guitarreira do Vicious do Lou Reed.
Dá até vontade saber algo de música. Eu não sei. Sei o que me dá vida ou não.
Rock me alimenta mais que ceva. Rock me alimenta mais que tudo.
Se tivesse que escolher entre ceva e rock, escolhia rock.
Se tivesse que escolher entre escrever e escutar rock, escolhia escutar rock.
Escutando rock é que escrevo. Me alimento. O rock me alimenta e me julgo por não saber nada de música.
Por isso escrevo.
É minha chance de compensar minha inabilidade com a música.
Não vou dizer que por isso bebo, porque bebo pra me chapar mesmo.
Se chapar é bom pra escrever.
A ressaca é a melhor hora para se ter boas idéias.
A ressaca limpa a sujeira do cotidiano como um alvejante limpando sujeiras acumuladas no chão.
Sei que vocês compartilharão algo comigo.
Se não compartilharem, eu compartilho.
É bom estar vivo.
É ótimo escrever.
Mas é bem melhor que tudo errar.
Pois errando eu vou vivendo cada vez mais até acertar.
Espero jamais acertar para viver para sempre.
Viver é muito bom.
Ainda melhor caminhado pelo lado errado da rua.

(um videozinho bem brega da BBC pra vocês)



Feliz dia das crianças!!!